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Afinando as propostas para a Rio+20
Representantes da Fundação Dom Cabral, do IBGC, da Vale e do Gife esperam que Conferência Ethos inspire a discussão que ocorrerá no Rio de Janeiro.

“A Conferência Ethos é um espaço fundamental para disseminar informações para e entre as empresas. O envolvimento do Instituto Ethos com a Rio+20, de maneira propositiva e colaborativa, com certeza refletirá nos debates e discussões a serem realizados na conferência, cujo tema – ‘A Empresa e a Nova Economia – o Que Muda com a Rio+20?’ – já sinaliza isso”, afirma Ana Carolina Velasco, gerente de relacionamento do Grupo de Institutos Fundações e Empresas (Gife).

Ela afirma que as plenárias e os painéis, construídos por um diversificado grupo de trabalho do qual o Gife faz parte, pretendem abordar profundamente temas alinhados com a Rio+20: “Trataremos de governança global, cidades sustentáveis, mudanças climáticas, sociedade civil, biodiversidade, transparência. Os participantes da conferência entenderão melhor o contexto da Rio+20 e saberão como contribuir na transição para uma economia verde, a partir de uma mudança na maneira de atuar em seus negócios”, argumenta.

Prévia de discussões

Giane Zimmer, diretora do Departamento de Desenvolvimento Sustentável da Vale, também considera positiva essa antecipação dos debates da Rio+20: “Como a Conferência Ethos vai realizar uma prévia das discussões, poderá promover uma análise das tendências e dos posicionamentos sobre os temas, incentivando o setor empresarial no sentido de unir forças com governos e organizações da sociedade civil”, afirma ela.

O fato de acontecer pouco antes da Rio+20 é visto como produtivo por Carlos Eduardo Lessa Brandão, conselheiro de administração do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). “Na Conferência Ethos, teremos a oportunidade de repassar pontos importantes para o desenvolvimento sustentável, de polir um pouco os argumentos e de entender as partes envolvidas. O encontro vai servir para aperfeiçoar a discussão e afinar um pouco mais o discurso”, argumenta ele.

Brandão também ressalta a relevância da Conferência Ethos: “É sempre um evento importante para mobilizar a sociedade civil e empresarial e o governo, independentemente da Rio+20. E terá uma parte tratando de integridade e transparência, temas mais próximos da área de atuação do IBGC. Nosso código é baseado em princípios como equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa”, esclarece.

Plataforma concreta

Para Cláudio Boechat, professor da Fundação Dom Cabral (FDC), o cunho “multibrasileiro” da Conferência Ethos reflete a intenção de dar “concretude” e buscar um novo desenho para a plataforma da economia inclusiva, verde e responsável: “Ela estrategicamente ocorre dias antes da Rio+20, com conteúdos convergentes, o que permite à comunidade empresarial tomar decisões coletivamente para levar ao evento das Nações Unidas”.

O acadêmico vê a Rio+20 “como oportunidade para aprofundar as inflexões necessárias para um mundo mais sustentável”, especialmente por acontecer num período em que o mundo vive uma sequência de momentos políticos significativos. “A tendência é termos uma agenda global cada vez mais congestionada de crises. Questões relacionadas a temas como cidades, água, biodiversidade e mudanças climáticas vão se agravar nos próximos anos. Nesse contexto, a Conferência Ethos é um encontro em que a comunidade empresarial brasileira atua como protagonista, atraindo outros setores da sociedade para essa discussão”, argumenta.

Ana Velasco, do Gife, espera que na Conferência Ethos “as empresas estejam mais informadas, orientadas e inspiradas para rever seus processos produtivos na construção de uma nova economia”. Já a expectativa da representante da Vale é de que, como iniciativas complementares, a Conferência Ethos e a Rio+20 “fomentem debates e atuem como pontos de partida para a conscientização da sociedade rumo à economia verde”.

Agendas positivas

A necessidade de unir esforços para que a discussão avance na Rio+20 é unanimidade entre os entrevistados. “É possível construir agendas positivas que contribuam efetivamente para o desenvolvimento sustentável em todas as esferas, seja em instituições públicas ou privadas, seja nos níveis de atuação individual ou coletiva”, acredita Giane Zimmer, da Vale.

Lessa Brandão, do IBGC, se diz otimista em relação aos resultados da Rio+20, dadas as circunstâncias que a cercam. “Espero que avance na medida do possível. Tudo depende das expectativas. Acho que esse tipo de evento é sempre bom, porque, ainda que não se avance, nos ajuda a entender onde estão as dificuldades”, opina, para em seguida apontar uma das dificuldades para o encaminhamento de medidas de ordem mais prática: “O fato de questões ambientais e sociais estarem interligadas torna o cenário mais complexo, o que é natural quando há uma mudança de paradigmas tão grande”.

Para ele, um dos entraves ao avanço é a falta de governança para assuntos globais: “Não existe um sistema abrangente que defina qual a regra, quem manda, quem resolve, quem cobra, quem fiscaliza. Espero que essa questão institucional vá se depurando”.

Por isso, Ana Velasco, do Gife, considera fundamental uma atuação mais propositiva dos governos na Rio+20. “Seja na erradicação da pobreza, na redução do impacto ambiental das empresas em seus processos produtivos ou no fortalecimento do papel da ONU na supervisão do cumprimento das metas, espero que os governos se comprometam formalmente, estabelecendo prazos para atingir os objetivos propostos”, defende ela.

Ana Velasco acredita que a Rio+20, como espaço de informação e de articulação, será “orientadora de mudanças de atitudes na busca por uma agenda mais alinhada ao desenvolvimento sustentável global”.

O professor Cláudio Boechat vê com “muita esperança” essa convergência de forças políticas internacionais “que vem se consolidando para o encaminhamento de propostas concretas de soluções”. E conclama os participantes da Conferência Ethos “a enviar mensagens que ajudem a criar, na Rio+20, um clima que impulsione a caminhada para a frente”.

Por Denise Ribeiro, para o Instituto Ethos

Legenda da foto: Giane Zimmer, diretora do Departamento de Desenvolvimento Sustentável da Vale.
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