Paulo Sérgio Muçouçah (OIT), Alexandre Di Ciero (Suzano) e Ana Maria Wilheim (Akatu) avaliam potencial de mobilização do Ethos para a Conferência da ONU.“A Rio+20 será um momento importante para consolidar todas as discussões que aconteceram nos últimos 20 anos, desde a Eco 92”, afirma Alexandre Di Ciero, gerente-executivo de Sustentabilidade da Suzano. “Também será um fórum de grande visibilidade mundial para o tema do desenvolvimento sustentável e da sustentabilidade, trazendo o debate para os grandes veículos de comunicação e, consequentemente, para a sociedade em geral”, continua o executivo, ressaltando a importância de chamar a atenção de mais pessoas para essa área.
“Esta é uma oportunidade para o mundo todo olhar seriamente para a questão do desenvolvimento sustentável. Precisamos buscar medidas efetivas e implementá-las”, comenta Paulo Sérgio Muçouçah, representante da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil. “No caso específico do Brasil, é uma chance de mostrarmos nossa liderança nos temas ambientais, principalmente em biodiversidade e mudanças climáticas”, continua Di Cieco. “É crucial incluir a agenda do consumo no evento”, completa Ana Maria Wilheim, diretora de Mobilização e Articulação do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente.
Ana comenta que a ótica do consumo não está tão presente como deveria no encontro internacional da ONU. “Esse tema está com pouca força e tem de estar equilibrado na Rio+20”, avalia a diretora, ressaltando a necessidade de envolver mais pessoas com a avaliação dos hábitos atuais de compra.
Contribuições a darInfluenciar o conteúdo dos diálogos na Rio+20 requer uma avaliação aprofundada das propostas em curso e uma boa organização dos assuntos a sugerir e defender. Por isso, o Instituto Ethos colocou a Conferência Ethos Internacional 2012 a serviço dessa tarefa. O evento, que vai se realizar de 11 a 13 de junho, em São Paulo, está centrado na questão “A Empresa e a Nova Economia. O que muda com a Rio+20?” e quer justamente fortalecer a visão e as sugestões dos empresários e das organizações civis para o encontro dos dirigentes internacionais.
“O evento do Ethos será um espaço para que as empresas e as demais organizações participantes coloquem os temas que gostariam de ver debatidos na Rio+20. Nas últimas edições da Conferência, tivemos uma boa participação de representantes do governo federal e isso deve se repetir neste ano. Essas pessoas estarão lá ouvindo o que temos a dizer e poderão levar esses pontos para os membros do governo que nos representarão na Rio+20”, prevê Di Ciero. “Esta é uma iniciativa muito saudável. Teremos um grupo de atores importantes, bem alinhados e preparados para realizar um bom ativismo político”, comenta Ana Maria Wilheim ao analisar a proposta da Conferência Ethos.
“É muito bom antecipar. A discussão e análise do rascunho zero da Rio+20 que o Ethos está empreendendo é muito interessante. Os empresários têm uma contribuição a dar e devem ser ouvidos”, concorda Muçouçah. “O Ethos já tem um posicionamento sobre a Rio+20, que enviamos para a ONU e tem sido nossa base nas discussões. A Conferência será mais um espaço para dar visibilidade a ele”, lembra o gerente de Sustentabilidade da Suzano, Alexandre Di Ciero.
“A Conferência Ethos será crucial para a mobilização e o envolvimento dos empresários”, reforça o representante da OIT, Paulo Sérgio Muçouçah. “Espero que os dois eventos sejam um espaço em que possamos discutir como conduzir o Brasil para uma posição de liderança numa economia inclusiva, verde e responsável. Temos todo o potencial para sermos líderes mundiais nessa nova economia. E é importante engajar mais e mais pessoas nesse objetivo”, complementa Di Ciero.
“A Conferência Ethos poderá formular propostas concretas do posicionamento de seus associados, e das empresas em especial, para a sociedade e os países participantes da Rio+20”, diz Ana Wilheim. Ela acrescenta que espera que os demais países-membros das Nações Unidas deem a devida importância ao evento no Rio de Janeiro. “Precisamos de encontros olho no olho. O mundo não é só virtual”, justifica.
Muçouçah comenta que é difícil saírem compromissos efetivos da Rio+20, mas é fundamental aproveitarmos bem esta oportunidade, olhando-a por um ângulo ampliado. “O ideal será propor metas práticas, como para geração de empregos verdes, por exemplo. Isso apressaria a transição dos modelos de produção, com inclusão social. Também cabe definir medidas concretas e sanções para quem não as atingir. No mínimo, devemos formular os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS)”, conclui.
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Por Neuza Árbocz, para o Instituto Ethos