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Resposta de Oded Grajew ao artigo "Falanges da Moralidade"

 No seu artigo “Falanges da Moralidade” (publicado em 8 de agosto de 2010, no caderno Aliás do jornal O Estado de S. Paulo), o jornalista Demétrio Magnoli cita o meu nome como "um dos chefes da falange da moralidade", que, do seu ponto de vista, quer tutelar a sociedade. Critica a minha opinião sobre a entrevista feita pelo Estado com Eros Grau, juiz recém-aposentado do STF.

Na ocasião manifestei-me contra a posição de Eros Grau, contrária à Lei da Ficha Limpa e à transmissão pela TV das sessões do STF. Apoio, e o Instituto Ethos também apoia, a Lei da Ficha Limpa – achamos que o STF, que ao longo de todos estes anos condenou apenas um político (e demorou tanto que o crime já estava prescrito), tem grande responsabilidade na crença generalizada de que a Justiça protege os políticos (a manutenção da censura ao Estado é um exemplo) e pensamos que os atos dos funcionários públicos, como são os juízes do STF, devem ser transparentes para a sociedade, que paga seus salários.

Respeito a opinião do jornalista Demétrio Magnoli, que tem um ponto de vista contrário ao meu, apesar de não entender de que maneira essas minhas posições buscam "tutelar a sociedade". Apenas acredito que deveria ser mais bem informado, até por dever de ofício, quando procura me atingir pessoalmente, e ao Instituto Ethos, tentando mostrar a nossa "incoerência" ao exigir transparência de quem é pago com dinheiro público.

Ao mesmo tempo ele afirma que o Instituto Ethos é parceiro da Associação Brasileira das ONGs (Abong), que ensina seus associados a acessar dinheiro público, "recebe verbas do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), mantém inúmeras parcerias com o governo federal e se beneficia de amplas isenções tributárias". Em primeiro lugar, se o Instituto Ethos se beneficia tanto de dinheiro público (o que é absolutamente falso), deveria poupar e proteger os políticos, e não se empenhar tanto em moralizar a classe política. Em segundo lugar, a parceria com a Abong nunca envolveu recursos públicos, apenas troca de conhecimentos e colaboração entre empresas e ONGs.

O Instituto Ethos, gerido por conselhos e diretoria compostos por lideranças empresariais e sociais, é apoiado e financiado por suas mais de 1.300 empresas associadas. O grande número de seus apoiadores e a pulverização do financiamento garantem a total independência do Instituto Ethos. Não dependemos de nenhum governo nem de nenhuma empresa ou setor individualmente. O Instituto Ethos mantém parcerias, que não envolvem recursos públicos, com vários governos, tentando promover a responsabilidade social na gestão pública, e desenvolve inúmeros projetos - um deles, com o BID (já terminado), visava a introduzir a responsabilidade social na cadeia produtiva de várias empresas.

Como entidade sem fins lucrativos, o Instituto Ethos beneficia-se de uma única isenção: o não pagamento de Imposto de Renda sobre o lucro. Como não há lucro (não há donos nem acionistas para distribuir lucros), todos os recursos são aplicados no cumprimento da nossa missão: promover a responsabilidade social empresarial e mobilizar as empresas para que sejam parceiras na construção de uma sociedade justa e sustentável.

Oded Grajew, presidente do Instituto Ethos
ograjew@ethos.org.br   
São Paulo 

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