Zilda Arns: perdemos uma companheira, ganhamos uma referência

A equipe do Instituto Ethos recebe com grande pesar a notícia da morte da companheira Zilda Arns Neumann, vítima do terremoto ocorrido nesta terça-feira (12/1) no Haiti, onde ela estava em missão humanitária.
Frequentemente lamentamos a postura de nossos líderes ou a falta de lideranças realmente relevantes para o desenvolvimento de nossa sociedade. E, por isso mesmo, é importante sabermos reconhecer e valorizar pessoas que, como Zilda Arns, assumem um papel de protagonismo e mobilização num mundo carente de bons exemplos.
Zilda Arns foi uma personalidade ímpar nesse sentido e merece ser lembrada e homenageada para que possamos nos espelhar em alguém que dedicou sua vida, até o último dia, a uma causa de interesse universal.
Com seu trabalho na Pastoral da Criança, a médica catarinense mostrou o quanto a sociedade civil pode atuar de maneira subsidiária ao governo, influenciando as políticas públicas e gerando resultados mais consistentes e menos custosos. Alguns programas da entidade, por exemplo, mostram que é possível salvar vidas com R$ 0,50, unindo esforços em prol de um objetivo comum.
Assim, percebemos sua postura de líder incansável e exemplar, que não mediu forças para alcançar seus objetivos, sempre atenta à causa, de maneira reservada e coerente com seus princípios. A religião norteava seu trabalho, mas seu protagonismo foi, de fato, a capacidade de reunir diversas instituições e atores da sociedade civil, resultando em benefícios mútuos.
O trabalho da Pastoral da Criança é um modelo que pode ser seguido por empresas e governos, já que conta com processos muito bem definidos e alinhados, utilizando metodologias e indicadores para avaliação contínua de sua atuação e respectivos resultados.
Além de mobilizar população, governo, instituições religiosas e não governamentais, Zilda Arns também incentivou a atuação das empresas, oferecendo suporte a iniciativas como a Fundação Abrinq e diversos outros programas, com destaque para o Alimentação Enriquecida, que alia saúde e educação para populações carentes e ajudou a reduzir o índice de mortalidade infantil em várias partes do país.
Com a morte dessa figura tão importante no movimento social brasileiro, ficam dois sentimentos antagônicos: o de uma perda irreparável na luta pelo desenvolvimento de uma sociedade mais justa e o de gratidão por todos os ganhos que obtivemos em nosso país, frutos de seu trabalho árduo por mais de três décadas.
Zilda acabou vítima do próprio sucesso de seu trabalho, já que estava no Haiti, aos 75 anos, para levar o exemplo de sua atuação a guiar e beneficiar outras comunidades de todas as partes do globo. Ganhou visibilidade internacional, chegando a concorrer ao Prêmio Nobel da Paz em 2006, mas homenagens nunca serão suficientes para retribuirmos tudo o que recebemos dela.
Exemplo de grande líder, ela nos mostrou que podemos agir de maneira conjunta, ampliando nossa atuação, buscando oportunidades e desenvolvendo possibilidades que se tornem reais. O que recebemos dela, durante todos esses anos de trabalho, certamente nos acompanhará em nossos futuros passos.
Que Zilda Arns sirva de referência na construção de uma sociedade cada vez mais saudável em todos os sentidos. Com toda nossa gratidão!


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