Preocupação efetiva com a questão ambiental

Criado em 1992, tendo como origem o Partido Comunista Brasileiro (PCB), o Partido Popular Socialista (PPS) abriga personagens históricos, como o ex-deputado federal Roberto Freire, que há anos preside a agremiação – assim como presidia o PCB. Em São Paulo, uma das maiores promessas para as próximas eleições é Soninha Francine, que atualmente comanda a Subprefeitura da Lapa. Convidada a relatar o posicionamento do partido em relação ao meio ambiente, Soninha reportou a demanda ao diretório nacional.
Quem responde às questões formuladas é Maurício Rudner Huertas, jornalista, secretário de Comunicação do PPS e coordenador da liderança do PPS na Câmara Municipal de São Paulo. Ele é o entrevistado desta semana na série que o Instituto Ethos vem publicando sobre meio ambiente e política partidária.
Instituto Ethos: De que maneira o PPS traz para sua política partidária a questão do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável? Como isso se insere no contexto dos governos do partido?
Maurício Rudner Huertas: O PPS trata da questão ambiental muito antes de o tema virar moda. A sustentabilidade e a qualidade de vida sempre foram eixos centrais do programa do partido. Já foi o tempo em que poluição e meio ambiente eram tratados como coisa supérflua, assuntos secundários no debate político. Hoje em dia, é prioritário um planejamento e uma ação consciente do poder público e da coletividade para a melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, do gerenciamento dos recursos naturais e da busca do desenvolvimento sustentável. Cabe a todo homem público e à sociedade uma permanente preocupação com o impacto ambiental de qualquer ação, atividade ou intervenção pública ou privada. A recessão que enfrentamos, o aumento desenfreado da população, o descontrole causado pelo desenvolvimento industrial, a miséria e a ignorância das pessoas já não podem mais ser usados como desculpa para que não se faça nada em termos do controle da poluição e de uma efetiva e consciente ação ambiental.
Cito alguns exemplos de ações concretas:
- implantar medidas para a melhoria da qualidade do ar, reduzindo a emissão de gases tóxicos por indústrias, carros, ônibus e caminhões;
- aprimorar o sistema de coleta e destinação final do lixo;
- comprometer-se com a despoluição e limpeza de rios e córregos;
- viabilizar a implantação de estações locais de tratamento de esgoto onde for possível e indicado;
- ampliar o programa de coleta seletiva solidária, agilizando decisivamente a implantação de novas centrais de triagem operadas por cooperativas de catadores efetivamente supervisionadas, para que se obtenham máxima eficiência e qualidade no trabalho;
- incentivar a instalação de indústrias de reciclagem e dar preferência ao consumo de materiais reciclados na administração;
- substituir a frota de carros da administração pública por modelos menos poluentes;
- pressionar pela efetiva redução da quantidade de enxofre no diesel e pela redução da tarifa de eletricidade para o trólebus, entre outras prioridades.
IE: O partido tem um grupo ou alguém voltado para o tema que faz (ou fará) parte do comitê central para pensar a sucessão presidencial?
MRH: O PPS tem o seu Secretariado de Meio Ambiente, que se reúne regularmente em busca de soluções viáveis para os problemas ambientais. Além de temáticas tradicionais, como política urbana, resíduos, recursos hídricos e educação ambiental, o partido chegou à conclusão de que, para o controle dos impactos das mudanças climáticas, tanto quanto para a efetivação do desenvolvimento sustentável e sustentado da sociedade, é necessária a efetivação de um modelo de gestão ambiental interada e compartilhada. Essa será a principal contribuição do PPS na sucessão presidencial.
Há uma efetiva preocupação dos governantes e parlamentares do PPS com a questão ambiental. Não por acaso, temos entre nossas principais lideranças e ativistas ambientais a jornalista e ex-vereadora Soninha Francine, que, como candidata à Prefeitura de São Paulo em 2008 e pré-candidata do PPS ao Governo do Estado de São Paulo em 2010, coloca o meio ambiente e a sustentabilidade como eixos centrais de todas as suas propostas. Questões recorrentes das campanhas de Soninha, como a reconfiguração do território e a mobilidade urbana, inclusive com a busca de alternativas para o transporte público, estão intimamente ligadas às questões ambientais e de sustentabilidade, o combate à poluição e a preocupação com a saúde e com a qualidade de vida da atual e das futuras gerações.
IE: A entrada de Marina Silva na disputa sem dúvida elevou a discussão da corrida presidencial a outro patamar, obrigando os dois candidados já postos (Dilma Rousseff e José Serra) a se posicionarem. Como o PPS vem lidando com esse novo desafio?
MRH: O PPS sempre pautou suas campanhas num patamar diferenciado, mais preocupado com o conteúdo das propostas do que propriamente com a corrida desenfreada atrás do voto. Candidatas como Marina Silva e Soninha Francine têm muito mais em comum do que o fato de serem mulheres e ex-petistas. A última campanha municipal em São Paulo mostrou, por exemplo, que Soninha é verdadeiramente diferente dos demais candidatos. No modo de falar, na forma de agir. É transparente. Diz o que pensa e pensa no que diz! Não sai por aí no blablablá. É jovem, idealista, ética. Mas não por obrigação ou por imposição de marqueteiro. Ela é assim!
Soninha tem um olhar diferenciado sobre a política e teve coragem de denunciar os conchavos que existem. Assim como Marina Silva, ela teve a coragem de sair do PT no período de maior popularidade do presidente Lula, simplesmente porque ambas não toleram esses métodos repulsivos de fazer política – que o PT tanto combatia e agora deixou "órfão" parte do eleitorado, associando-se ao que existe de mais arcaico e danoso na política nacional.
O PPS se posiciona dessa forma, colaborando com a pré-candidatura de oposição ao governo Lula e firmemente contrário aos métodos deploráveis de fazer política, aliando-se a Collor, Sarney, Maluf e outros nomes que nada de positivo acrescentam ao país.
IE: Dê um exemplo prático de ação do partido em que a sustentabilidade (em seu tripé ambiental, econômico e social) esteja sendo o norte de políticas implantadas pelo partido (num município, num projeto ou num Estado).
MRH: Há uma série de iniciativas de prefeituras e de parlamentares do PPS que merecem destaque, sendo acompanhadas pela imprensa e divulgadas em nossas ferramentas de comunicação, como os sites municipais, estaduais e nacional, além de blogs e do twitter. Mas um exemplo de política que norteia a ação do partido, e que já mereceu o apoio do Instituto Ethos e do Movimento Nossa São Paulo, entre outros, foi o projeto do deputado e presidente estadual do PPS, Davi Zaia, apresentado na Assembleia Legislativa paulista, que limitava a 20 ppm (partes por milhão) a emissão de enxofre no diesel comercializado no Estado.
O Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) tinha uma resolução que previa a redução do poluente para 50 ppm até 2009. A Petrobras, distribuidores e os fabricantes de motores alegaram que não podiam cumpri-la porque a Agência Nacional do Petróleo (ANP) ainda não havia regulamentado como deveria ser o novo combustível. O projeto de Zaia, que fixou um limite menor para a emissão do enxofre, 20 ppm, provocou um salutar debate sobre o assunto. Em alguns países, como os Estados Unidos e o Japão, a emissão de enxofre é de 10 ppm a 15 ppm. No Brasil, os veículos que utilizam o combustível emitem de 500 ppm de enxofre nas regiões metropolitanas a até 2 mil ppm em cidades onde o diesel é de pior qualidade. Estudos da Faculdade de Medicina da USP estimam a ocorrência de nove mortes por dia, em decorrência da poluição em São Paulo. Além disso, os poluentes são responsáveis pelo maior número de internações por doenças respiratórias, elevando os gastos com saúde e superlotando os hospitais.
Então, o PPS acredita poder colaborar com o aprofundamento de discussões sobre meio ambiente e sustentabilidade, que são temas relacionados a todas as demais prioridades da administração pública, como saúde, moradia, transporte, educação, emprego, saneamento, abastecimento, esporte e lazer etc.
Por Denise Ribeiro (Envolverde) / Edição de Benjamin S. Gonçalves (Instituto Ethos)

