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Sustentabilidade tem de permear o governo como um todo
Vice-presidente nacional do Partido Verde (PV) e vereador pelo Rio de Janeiro, o ambientalista carioca Alfredo Sirkis, de 57 anos, é um dos fundadores do partido e autor de inúmeros projetos na capital fluminense, como o de criação de áreas de proteção ambiental. Foi ainda relator dos capítulos sobre meio ambiente da Lei Orgânica Municipal e do Plano Diretor Decenal. Como secretário de Meio Ambiente do Rio, implementou a maior rede de ciclovias do Brasil, hoje com 160 quilômetros de extensão. Sirkis é o entrevistado desta semana da série que o Instituto Ethos vem publicando sobre meio ambiente e política partidária.

Instituto Ethos: De que maneira o PV traz para sua política partidária a questão do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável? Como isso se insere no contexto dos governos do partido?
Alfredo Sirkis: O PV acredita que a questão deve pautar a política de todo o governo. Um único ministério, como o do Meio Ambiente, não consegue levar adiante essa tarefa, já que não tem controle sobre alguns dos instrumentos mais importantes da sustentabilidade, notadamente na área econômica. Não tivemos ainda oportunidade de colocar nosso programa em prática, embora se tenha avançado em algo em determinadas prefeituras. Na ótica da senadora Marina Silva, é o presidente da República que comanda a política de sustentabilidade. Não adianta um ministério para conter a devastação, se há dez querendo destruir.

IE: O partido tem um grupo, que faz (ou fará) parte do comitê central da campanha de Marina Silva, encarregado apenas de pensar sobre o tema e suas implicações no desempenho eleitoral?
AS: Essa é uma preocupação central. Não estamos mais na fase de discutir estruturas de gestão ambiental meramente defensivas e isoladas, e sim na época em que um novo paradigma de sustentabilidade precisa permear o governo como um todo.

IE: A entrada de Marina Silva na disputa elevou, sem dúvida, a discussão da corrida presidencial a outro patamar, obrigando os dois candidatos já postos (Dilma Rousseff e José Serra) a se posicionarem. Como o PV, protagonista dessa mudança, vem lidando com esse novo desafio?
AS: O PV vem definindo uma nova perspectiva histórica de realinhamento, que procura contribuir para a superação dessa anomalia brasileira, em que duas forças socialdemocratas disputam o poder entre si, cada uma buscando aliados no campo do atraso e do clientelismo da política tradicional brasileira. Se Marina vencer, a idéia é governar com as duas forças socialdemocratas – e só ela pode conseguir juntá-las –, deixando de lado os setores atrasados, que estarão entregues à própria sorte. Essa dinâmica favorece o singular papel do PMDB e de outros similares menores.

IE: Dê um exemplo prático de ação do partido em que a sustentabilidade (em seu tripé ambiental, econômico e social) esteja sendo o norte de políticas implantadas (num município ou Estado).
AS: Até hoje, o que temos são exemplos setoriais de políticas verdes aplicadas em contextos mais gerais, dentro do paradigma tradicional. Posso dar meu exemplo no Rio: como secretário de Meio Ambiente, nos anos 1990, e de Urbanismo, entre 2001 e 2006, consegui realizar bons projetos, como os mutirões de reflorestamento nas favelas e a maior rede de ciclovias do Brasil, mas no marco de administrações para as quais isso era, eventualmente, uma concessão aos verdes, e não uma política visando a sustentabilidade.

Por Denise Ribeiro (Envolverde) / Edição de Benjamin S. Gonçalves
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