Empresa associada: login senha
Busca
Campanha TicTacTicTac entrega abaixo-assinado e carta aberta a Lula

Os documentos exigem que, na Conferência do Clima (COP-15), em Copenhague, o governo brasileiro apresente medidas efetivas para combater o aquecimento global.

“Lula, não espere o G8! Brasileiros querem metas agora!”. A frase estava num cartaz erguido em frente ao prédio do Banco do Brasil, nesta segunda-feira (9/11), em São Paulo, por militantes de ONGs vinculadas à campanha TicTacTicTac. “É a oportunidade de mostrar ao governo que queremos um compromisso com força de lei internacional, e não uma carta de boas intenções”, dizia um comunicado da campanha sobre a manifestação. “Queremos um acordo climático ambicioso e justo, baseado nas necessidades cientificamente comprovadas e comprometido com a justiça e a inclusão social”, completava.

Dentro do edifício se realizava uma reunião do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas (FBMC), com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dos ministros Carlos Minc, do Meio Ambiente, Dilma Roussef, da Casa Civil, e Reinhold Stephanes, da Agricultura, bem como do secretário geral do FBMC, Luiz Pinguelli Rosa. Na platéia, estavam ainda o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, e os governadores Eduardo Braga, do Amazonas, e Waldez Góes, do Amapá. 
 
Durante o encontro, Ivan Marcelo Neves, do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (FBOMS), e Aron Belinky, coordenador executivo da campanha TicTacTicTac, fizeram a entrega simbólica ao presidente Lula de um abaixo-assinado com reivindicações de 38 entidades da sociedade civil, o qual contava com cerca de 200 mil assinaturas até o momento.

“A sociedade civil organizada está olhando atentamente para a COP-15, e há muito tempo está se mobilizando para contribuir para um acordo significativo, ousado e ambicioso desta importante conferência, que irá decidir sobre o futuro do nosso planeta, de nosso país e de nossos filhos e netos”, afirmou Neves, ao apresentar a posição da sociedade civil organizada. “Esperamos que o Brasil assuma um papel de verdadeira liderança nesse processo, cobrando dos países industrializados um corte muito profundo e significativo das emissões, mas apresentando também medidas concretas, vinculantes e ousadas nesta luta comum contra a maior ameaça que a humanidade já enfrentou”, completou o representante da FBOMS.

O abaixo-assinado exige que, na Conferência do Clima (COP-15), a realizar-se em dezembro, em Copenhague, o governo brasileiro apresente medidas efetivas para combater o aquecimento global. Afirmando que o Brasil tem papel fundamental no encontro de Copenhague, por sua liderança nas negociações internacionais e também por ser um dos maiores emissores mundiais de gases de efeito estufa, o documento reivindica que as autoridades brasileiras se comprometam a defender um acordo climático global com os seguintes objetivos mínimos:
 
- Garantir que o aquecimento global ficará bem abaixo dos 2º C em relação à média histórica, estabelecendo metas e mecanismos para que, antes de 2020, comecem a decrescer as emissões globais de gases do efeito estufa.

- Reduzir as emissões dos países desenvolvidos em pelo menos 45% até 2020, diante dos níveis de 1990. - Estabelecer objetivos mensuráveis, verificáveis e reportáveis para redução substancial das emissões de países em desenvolvimento emergentes e em rápido crescimento econômico, viabilizados por medidas apropriadas a cada país.

- Apresentar medidas concretas de mecanismos e compromissos de aportes financeiros para apoiar países em desenvolvimento na estabilização e posterior redução de emissões e na sua adaptação às mudanças climáticas.

- Aprovar a criação de soluções e mecanismos de REDD (Reduções de Emissões - Associadas ao Desmatamento e à Degradação Florestal), justos e aplicáveis a curto prazo.

- Promover a sustentabilidade e a dignidade do desenvolvimento humano e a integridade dos processos ecológicos, mediante a transformação da economia e o fortalecimento da democracia.

Carta aberta

Além do abaixo-assinado, Aron Belinky entregou ao presidente da República a “Carta Aberta ao Presidente Lula”, que a campanha TicTacTicTac havia divulgado dias antes. O texto solicita que Lula reforce publicamente a declaração que fez na última Assembléia Geral das Nações Unidas, na qual demonstrou grande preocupação com a relutância dos países desenvolvidos em assumir sua responsabilidade no combate às mudanças climáticas. Pede também ao presidente que diga aos chefes de Estado que é absolutamente inaceitável adiar as decisões que devem ser tomadas em Copenhague.

A carta diz que, segundo declarações recentes de importantes líderes mundiais, “há poucas chances de chegar-se a um acordo forte, ambicioso e com força legal na Conferência das Partes”. “O fracasso em Copenhague representa um alto risco de instabilidade que implicará em custos sociais, ambientais e econômicos para todos os países. Consideramos que tais declarações são um claro sinal de falta de vontade política de avançar em um acordo climático ambicioso e justo”, completa o documento.

Pontos altos

Para Belinky, um dos pontos mais positivos da reunião foi quando o presidente afirmou que estava em sua agenda entrar em contato com os presidentes da China, Hu Jintao, e dos Estados Unidos, Barack Obama, a fim de solicitar que esses dois importantes líderes mundiais não deixem de participar da reunião de Copenhague.

Outro destaque importante do encontro, segundo o coordenador da campanha TicTacTicTac, foi a ênfase que todas as autoridades presentes deram para a importância de o Brasil levar para Copenhague metas e objetivos concretos sobre a redução de emissões no país. Para Belinky, isso só não ocorrerá por uma escolha política. “A apresentação de metas concretas é uma demanda clara da sociedade civil”, afirma ele. “Essas metas, aliás, representariam um norte para as empresas brasileiras, pois sinalizariam o novo rumo que o país deve tomar, em direção a uma economia de baixo carbono.”

Belinky informa que a coleta de assinaturas para a campanha continua. Os interessados em participar ou em ajudar na divulgação devem visitar o site www.tictactictac.org.br.

Por Benjamin S. Gonçalves (Instituto Ethos)

Legenda da foto: Ivan Marcelo Neves, do FBOMS, fala em nome das organizações da sociedade civil. À mesa, Lula, Carlos Minc e Luiz Pinguelli Rosa.

  • Esclarecimentos importantes sobre as atividades do Instituto Ethos

    1. O trabalho de orientação às empresas é voluntário, sem nenhuma cobrança ou remuneração.
    2. Não fazemos consultoria e não credenciamos nem autorizamos profissionais a oferecer qualquer tipo de serviço em nosso nome.
    3. Não somos entidade certificadora de responsabilidade social nem fornecemos “selo” com essa função.
    4. Não permitimos que nenhuma entidade ou empresa (associada ou não) utilize a logomarca do Instituto Ethos sem o nosso consentimento prévio e expressa autorização por escrito.

    Caso tenha alguma dúvida ou queira nos consultar sobre as atividades de apoio do Instituto Ethos, contate-nos, por favor, pelo link Fale conosco, no qual será possível identificar a área mais apropriada para atendê-lo.
  • Trabalho Escravo
  • PLARSE
  • Conexões Sustentáveis
  • IAF
  • Trabalhe Conosco